Brincadeiras, cantigas, parlendas, poemas e histórias para crianças de seis meses a cinco anos – Parte II

por | jun 8, 2020 | Artigo, Educação Infantil, Formação de Professores

Querida família,

Neste período de quarentena, com todos em casa, a intenção desta proposta é incentivar a criatividade, a expressão simbólica, o pensamento conceitual e a linguagem da criança, por meio de brincadeiras que estão integradas com a leitura de histórias, parlendas e cantigas.

Estas atividades podem ser realizadas em qualquer espaço. Além disso, os poucos materiais necessários são simples: sucatas que estejam disponíveis, com a possibilidade de serem substituídas por outros objetos.

As brincadeiras estão organizadas por faixas etárias, mas esta estrutura é flexível, ela pode variar de acordo com o interesse e a maturidade de cada criança. Nesta segunda parte, abordaremos brincadeiras para as faixas etárias de quatro a seis anos. Para conferir a primeira parte do material, clique aqui.

Para crianças de quatro a cinco anos:

Os dedos das mãos

Materiais necessários:

  • Uma tesoura;
  • Uma cola;
  • Uma caixa de giz de cera;
  • Uma caixa de canetinhas hidrográficas finas ou 1 caixa de lápis de cor;
  • Pequenas sucatas variadas: fitinhas, pedacinhos de papel colorido, pedaços de lã ou barbante etc.

Para cada participante:

  • Uma folha de papel sulfite.

Sugestão: não é imprescindível, mas a brincadeira fica mais interessante junto com a leitura do livro “Os dez amigos” do Ziraldo, cujos personagens são os dedos das mãos.

Inicie a brincadeira recitando esta parlenda junto com a criança (a parlenda completa está disponível na internet):

“Mindinho (apontar o dedo mínimo)
Seu vizinho (apontar o dedo anular)
Pai de todos (apontar o dedo médio)
Fura bolo (apontar o dedo indicador)
Mata piolho (apontar o dedão)
Cadê o toicinho que estava aqui?
O gato comeu
Cadê o gato?
Foi para o mato
Cadê o mato
O fogo queimou
Cadê o fogo?
A água apagou.
Cadê a água?
O boi bebeu… etc.”

Depois de recitar a parlenda, mostre com gestos várias coisas que as mãos são capazes de fazer: chamar, dar “tchau”; o gesto “pare”; gestos de carinho etc. Caso tenham o livro “Os Dez Amigos”, neste momento, conte a história para a criança.

Converse sobre o enredo: quem são os personagens; como eles são (no enredo, cada dedo da mão tem uma personalidade); o que eles fazem etc. Por exemplo: o dedão é mandão; o dedo anular é chique, pois usa um anel de ouro; o dedo indicador é o guia da floresta etc. Transforme, assim, os dedos da mão em fantoches.

Cada membro da família deve pegar uma folha de papel sulfite, pôr uma das mãos sobre ela e desenhar o contorno da mão.

Dica: para facilitar para a criança, antes de solicitar para ela recortar o contorno da mão, pedir para caracterizar cada dedo da mão desenhada. Por exemplo: desenhar olhos, nariz e boca em cada dedo do desenho da mão; pintar cada dedo de uma cor etc.

Os dedos podem ser caracterizados como bichos, pessoas ou personagens dos contos de fadas. Por exemplo: o mindinho pode ser um dos anões da Branca de Neve, o dedo médio, que é o maior, pode ser o gigante do conto “João e o pé de feijão”; o dedo indicador pode ser o lobo mau da Chapeuzinho Vermelho etc. Complete a caracterização dos personagens com as fitinhas, os pedacinhos de papel colorido, os pedaços de lã e de barbante etc.

Após essa atividade, recorte o contorno do desenho da mão. Então cada participante apresenta os “dedos personagens” que criou para a família: os nomes de cada dedo; como eles são; do que gostam; o que fazem etc. Em seguida, todos brincam de criar um teatro de fantoches com os “dedos personagens”. 

Para crianças de cinco a seis anos:

A mesma atividade já proposta anteriormente para crianças de quatro a cinco anos: “Os combinados”, mas acrescentando algumas tarefas um pouco mais complexas para a criança. Por exemplo: ajudar a varrer o chão da residência; a espanar o pó de alguns objetos que não sejam de vidro; ajudar a arrumar os quartos etc.

Minha varinha de condão e minha palavra mágica

Materiais necessários:

Para cada participante:

  • Qualquer objeto que lembre o formato de uma varinha de condão: uma régua, uma caneta, ou uma folha de sulfite (para enrolar e fazer a varinha de condão);
  • Um rolo de fita adesiva;
  • Uma tesoura;
  • Um lápis grafite;
  • Uma borracha;
  • Uma cola;
  • Duas ou três de sulfite (ou qualquer outro papel, que seja fácil de ser recortado e dobrado);
  • Outro objeto (que não seja de vidro, é claro). sugestões: um apontador de lápis, uma caneta, um pote vazio de iogurte, uma cumbuca de plástico etc.

Para todos os participantes:

  • Pequenas sucatas para enfeitar as varinhas de condão: fitinhas, pedacinhos de papel colorido ou de tecido, vidrilhos, purpurina etc;
  • Uma caixa de lápis de cor ou uma caixa de giz de cera fino;
  • O conto de fadas “Cinderela”, de preferência, em um livro.

Obs.: o livro não é imprescindível, pois o adulto pode narrar oralmente o conto” Cinderela” para a criança. Mas, devido às razões já mencionadas na “live” sobre a importância do livro para cultivar a paixão pela apreciação literária, a atividade ficará muito mais rica com ele.

Inicie a atividade contando ou lendo o conto “Cinderela” para a criança. Incentive-a a acompanhar a sequência do conto pelas ilustrações, enquanto a narrativa é lida. Após a leitura, pergunte para a criança quais os trechos da história ela gostou mais, quais as passagens que considera mais emocionantes.

Outra sugestão interessante é perguntar sobre as caracterizações e as ações dos personagens: “Como era a madrasta e suas filhas? Como era Cinderela? O que as irmãs disseram para Cinderela quando foram convidadas para o baile do príncipe? E a fada? Como foi que ela apareceu?” etc.

Após a leitura e a apreciação do conto, cada participante, usando os materiais solicitados, deve construir e enfeitar sua varinha de condão e criar uma palavra mágica.

Em seguida, cada um mostra e movimenta sua varinha mágica para o grupo e diz bem alto qual é a palavra mágica que criou.

Depois, cada participante escolhe e pega um objeto e a sua varinha de condão. Por exemplo: se um dos participantes pegou uma caneta, ele movimenta a sua varinha de condão e anuncia sua palavra mágica: “Salagadum! Minha varinha mágica vai fazer esta caneta virar um passarinho!” (e movimenta a caneta como se ela fosse uma ave).

Dica: durante a brincadeira, cada participante pode transformar seu objeto em qualquer coisa; não precisa ser, necessariamente, em um bicho. Por exemplo, o potinho de iogurte pode virar uma casinha; o apontador pode virar um anãozinho etc.

Depois que todos os participantes movimentaram suas varinhas de condão, disseram suas palavras mágicas e transformaram o seu objeto, cada um, usando as folhas de sulfite, as pequenas sucatas e os lápis de cor “completa” a transformação do seu objeto. Por exemplo, se o participante transformou a caneta em um passarinho: na folha de sulfite, ele desenha e recorta um bico, duas asas, um rabo e em seguida, os prega na caneta, completando a caracterização do passarinho.

A galeria de arte dos objetos dos contos de fadas 

Materiais necessários:

Para cada participante:

  • Uma folha de sulfite;
  • Uma caneta hidrográfica preta ou azul.

Para todos os participantes:

  • Um livro que apresente vários contos de fadas. Se o livro for uma adaptação dos contos dos Irmãos Grimm, melhor. Caso não tenha o livro, o adulto pode contá-los oralmente para a criança.

 Obs: O interesse da criança é que determina a quantidade de histórias que ela quer escutar por dia.

Inicie a atividade perguntando para a criança: “Você já viu uma galeria de arte?” (mostre na internet como é uma galeria e uma exposição de arte). Em seguida, o adulto apresenta o tema da brincadeira: “Vamos criar uma galeria dos objetos dos contos de fadas.”

Então, os participantes escolhem onde ficará a “Galeria dos Objetos dos Contos de Fadas”. Por exemplo, a galeria pode ser em cima do tapete da sala; no quintal; na varanda; no tapete do quarto etc. 

Dica: opte por um local coberto.

Em seguida, narre o conto de fadas para a criança. Após a leitura do conto, a criança escolhe um objeto que apareça na narrativa e que seja fundamental para o enredo.

Depois disso, a criança deve pegar um objeto real da residência, que seja igual ou semelhante ao objeto que ela escolheu do conto. Por exemplo: uma cesta ou uma sacola de feira para ser a cesta de doces da Chapeuzinho Vermelho; uma bota, se o conto for “O gato de Botas”; uma bolinha amarela para o conto “A princesa, o sapo e a bola de ouro”; bolinhas feitas com papel crepom marrom para representar os feijões mágicos do conto “João e o pé de feijão”; uma maçã, se o conto for “Branca de Neve” etc.

A brincadeira prossegue, com os participantes levando o objeto real para a “galeria”. Depois, os participantes catalogarão o objeto para a exposição, da seguinte maneira:

Dobre ao meio uma folha de sulfite. Em uma das partes dobradas da folha escreva com letras grandes o que aquele objeto representa. Por exemplo: “Cesta da Chapeuzinho Vermelho”. À medida que cada história for narrada, siga os mesmos procedimentos já descritos.

Depois que todos os objetos estiverem catalogados, a criança deve criar e escrever (do jeito dela) convites para a inauguração da galeria e distribui um convite para cada membro da família. Convide todos à exposição dos objetos mágicos!


Assista na íntegra a gravação do bate-papo O Brincar e a Educação Infantil com a professora Anna Flora Coelho:

Anna Flora CoelhoAnna Flora - Grupo Companhia das Letras. Nasceu em São Paulo. Formou-se em história na Pontifícia Universidade Católica e é mestre em Teatro pela Universidade de São Paulo. Já publicou 28 livros, entre eles A bela ou a fera (FTD), O retrato das figuras (Quinteto Editorial, 1992) e Os gêmeos corintianos (Ática, 1999).