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Conhecimento também se constrói através do divertimento e do ato de brincar. Para tanto, precisamos pensar em mudanças nas práticas pedagógicas, pois a maior parte das escolas prioriza o cumprimento do currículo e deixa de fora o aspecto lúdico.

O lúdico promove a reflexão, estimula o pensamento, o questionamento e a autogestão, elementos essenciais para que estudantes não apenas reproduzam o conteúdo ao qual têm acesso, mas também desenvolvam senso crítico.

O uso de elementos que auxiliem na transformação da sala de aula em um ambiente lúdico, pode ajudar a chamar a atenção e promover uma maior interação entre estudantes e educadores, o que torna a aula mais atrativa e dinâmica. Como nos traz Cátia da Rosa sobre a ludicidade na educação:

Espera-se que essa proposta se torne mais um suporte para os professores atuantes no ambiente escolar, para que possam aprimorar suas aulas, transformando-as em aulas dinâmicas, em um ambiente prazeroso e alegre com várias oportunidades de construção do conhecimento e integração entre todos que estiverem inseridos nesta bela missão, que é a arte de ensinar.

A arte e o lúdico não podem ser tratados como privilégio

Muitas vezes, jovens encontram esse ambiente, que mescla aprendizado e arte, em outros espaços, como equipamentos culturais e eventos públicos promovidos por artistas locais.

Nas periferias, apesar da dificuldade de deslocamento e acesso a espaços onde se desenvolvem atividades culturais, é nítido o forte potencial criativo que produz saraus, rodas de samba, batalhas de rima e tantas outras manifestações artísticas

A busca por conhecimento e informação constrói novos circuitos e eventos culturais através de experiências coletivas que se expandem, saem de nichos periféricos e atingem áreas centrais da cidade, tendo seus ícones usados e disseminados por jovens de outras camadas sociais.

A cultura construída na periferia pode contribuir com a visibilidade, sendo voz dessa parcela da sociedade que é colocada à margem, em um lugar de subalternidade. Quando as músicas e símbolos que vêm da cultura periférica se mesclam e passam a ser cooptadas pelo capitalismo, temos uma via de mão dupla que pode ser alvo de críticas, afinal, apesar de mostrar a resistência popular, pode provocar o estímulo consumista, uma prisão neoliberal.

Ao ter contato com a arte, as pessoas buscam por outros conhecimentos e passam a se colocar de forma mais ativa na sociedade, melhorando a autoestima e expondo opiniões. Dessa forma,  constroem e transformam suas identidades vendo que seu cotidiano pode ser tema de obras poéticas ou peças de teatro, por exemplo.

Apesar da imensa satisfação social e potências positivas que espetáculos de dança, shows e outras manifestações culturais promovem numa sociedade, a verba destinada à cultura é sempre a primeira a desaparecer quando se fala em cortes estatais. 

Sobreviver de arte no país é algo bem distante para a maioria das pessoas que são artistas. Quem consegue desenvolver essas atividades socioculturais, mantém outro emprego ou exerce outras atividades alternativas remuneradas para poder seguir com seus projetos, afinal os incentivos estatais, quando existentes, beneficiam quase sempre grupos já estabelecidos e que se encontram nas capitais do eixo Rio-São Paulo.

Trazendo para perto: ações lúdicas inspiram o pensamento crítico e criativo

Integrantes do grupo de teatro Rosas Periféricas, jovens vindos da periferia que estudaram artes cênicas no centro de São Paulo, venderam trufas e rifas para financiar sua primeira peça de teatro. Em 2016 o grupo fez um sarau de funk no Parque São Rafael, bairro da zona sul de São Paulo; acreditam na importância da aproximação dos jovens de assuntos como preconceitos, racismo e machismo para uma mudança na estrutura social.

A rapper MC Sofia, que tem 15 anos, criou o evento ‘Preteenha Rainha‘ para meninas negras entre 10 e 16 anos se encontrarem e aprenderem juntas enquanto se divertem. Os encontros têm como objetivo, além da construção política e conhecimento sobre suas raízes e identidades, fortalecer laços e promover a autoestima das meninas negras.

Débora Garofalo, professora da rede pública finalista do Prêmio Global Teacher,  considerado o ‘Nobel da Educação’, incluiu o uso de tecnologias em suas aulas, fazendo com que estudantes mantivessem um maior interesse em participar. Como afirma Jefferson Delgado, ela:

ensina seus alunos a retirar material das ruas e transformá-los em pequenas máquinas, por exemplo robôs de garrafas Pet. Os alunos já retiraram das ruas cerca de 1 tonelada de materiais recicláveis, esse material virou ferramentas e objetos para suas criações – além de entenderem o conceito de reciclagem. Um exemplo de criação dos alunos é o “Robô desenhista”, com um pote de manteiga, lápis e alguns motores encontrados também no lixo, os alunos criaram um robô que desenha sozinho na superfície de um papel.

Portanto, o uso das atividades lúdicas, além de estimular a criatividade, mostra aos estudantes que são capazes de muitas coisas, inclusive provocar mudanças nas suas comunidades e quiçá no mundo.


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Marita

Estudante de Letras, Artes e Mediação Cultural na UNILA - Universidade Federal da Integração Latino-Americana.