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Fala-se tanto em revolução tecnológica em sites, jornais e programas televisivos que o assunto já se tornou senso comum. O fascínio pelo tema é justificável, já que as mudanças ocorrem a todo tempo, cada uma mais disruptiva do que a outra.

Diante de um novo mundo que está sendo gestado, a preocupação se volta em torno dos processos educacionais. Afinal, a vida de hoje é completamente diferente do que em outras épocas. Nesse contexto, a escola precisa acompanhar toda essa revolução, incluindo projetos inovadores sempre que possível.

O que é inovar na escola?

Diante do iminente desafio de contribuir para que o aluno receba uma formação cidadã, focada em fortalecer habilidades socioemocionais e pensamento crítico, é necessário inovar. Cada vez mais, a escola precisa incentivar o aluno a se envolver, a exercer a criatividade e a entender seu papel para a mudança de sua comunidade.

Para isso, é essencial adotar estratégias distintas complementares ao modelo tradicional de ensino, compartimentado em componentes curriculares. O desafio, para o professor, é incluir estratégias que dialoguem com as vivências, modos de interação e interesses dos alunos.

Ao analisar o contexto educacional, diversos pesquisadores alertam para a necessidade de incluir mudanças paradigmáticas capazes de fazer com que a escola substitua um modelo de ensino conservador por um emancipatório, como defendem Souza e Pinho (2016):

No primeiro, predominam a linearidade e a reprodução do conhecimento, enquanto no ensino emancipatório ocorre o inverso – valorizam-se a produção e a construção de novos caminhos, novos conhecimentos, de forma coletiva e mais humana.

4 projetos educacionais inovadores

Na prática, inovar não significa apenas incluir determinada tecnologia no ensino de componentes curriculares. Também não demanda romper completamente com o modelo tradicional de ensino.

De fato, trata-se de um movimento, liderado pelo professor, de identificar os principais problemas e gargalos do contexto escolar e propor novas estratégias para solucioná-lo, distintas do modelo tradicional de ensino.

São diversos os exemplos, no Brasil e no mundo, de escolas e educadores que exerceram um olhar mais analítico e demorado sobre a realidade local e conseguiram aplicar projetos inovadores. Veja, a seguir, quatro exemplos inspiradores.

1) Aula de robótica com sucata

Como incluir o ensino da tecnologia na escola pública, que sofre com falta de recursos? A resposta está na criatividade. Foi assim que a professora de Língua Portuguesa Débora Garofalo criou sua aula de robótica com sucata.

O projeto tomou vida na Escola Municipal de Ensino Fundamental Almirante Ary Parreira, na Vila Babilônia, zona sul da cidade de São Paulo. Ele se apropria de metodologias ativas como o aprender fazendo e o movimento maker para ensinar os alunos a transformar o lixo em objeto de ensino.

Com a iniciativa, mais de uma tonelada de resíduos recicláveis já foi retirada das ruas. Para os alunos, é a chance de aprender como a tecnologia pode contribuir para o desenvolvimento de soluções sustentáveis.

2) Projeto Borboleta para a alfabetização

Na cidade de Oieras, no Piauí, a estratégia inovadora para garantir a alfabetização de alunos do ensino fundamental contou com a participação de toda a comunidade escolar. O Projeto Borboleta incentivou o professor a exercer um olhar mais demorado sobre cada criança, entendendo suas características e principais dificuldades.

Com contextos educacionais, sociais e familiares distintos, a proposta é garantir um “ensino desigual”, que respeite as limitações e potencialize os atributos de cada criança.

Para organizar o percurso formativo, os alunos foram divididos em fases, o que possibilitou incluí-los em seu próprio processo de aprendizagem. Com a alternativa, eles sabiam onde estavam e onde podiam chegar.

3) Uma escola no barco

Se Maomé não pode ir à montanha, a montanha vai até Maomé. Foi assim que outro projeto educacional inovador possibilitou que crianças pudessem ir à escola em uma realidade marcada pelos problemas socioeconômicos causados pelas monções.

Criada pela organização sem fins lucrativos Shidhulai Swanirvar Sangstha, em Bangladesh, na Ásia, a iniciativa encontrou uma solução para garantir o acesso ao ensino em locais que sofrem com inundações constantes: criar uma escola em um barco.

Além de garantir o acesso ao estudo a mais de 88 mil crianças, o projeto transformou o rio em um espaço vivo, um canal de comunicação e convivência de famílias e comunidades vizinhas.

4) Escola da Ponte

Um lugar sem turmas e sem provas. Um percurso de ensino completamente personalizado, focado na autonomia dos alunos e capaz de garantir uma formação completa. A estratégia foi criada em Portugal, na Escola da Ponte – e serviu de inspiração para diversas outras instituições.

A proposta pedagógica da instituição, localizada na cidade do Porto, é romper completamente com o modelo tradicional de ensino. Os alunos não são divididos em turmas e os professores não são responsáveis por um componente curricular específico.

Cada criança ou adolescente define, a cada ano, quais são suas áreas de interesse. Em grupo, eles também desenvolvem as principais regras de convivência. Após esse diálogo, cada um tem a liberdade de criar sua própria trajetória educacional.

Como criar um projeto educacional inovador?

Diante de tantas iniciativas inovadoras, pode parecer difícil mudar a realidade local. Mas, é importante que o professor esteja atento ao calcanhar de Aquiles de uma instituição de ensino.

É a partir de um problema específico que pode ser possível pensar, e testar, estratégias diferenciadas, que possam contribuir para uma formação ainda mais transformadora.

Outra dica importante é compreender a realidade em que a escola está inserida, bem como as potencialidades dos alunos. Inovar também pode se traduzir em dialogar com suas preferências, modos de se comunicar e agir.


Marcela Karitas

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), trabalha como produtora de conteúdo na área de educação.