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Em 2018, o cearense Mailson Furtado recebeu o troféu de Melhor Livro do Ano pelo Jabuti, a maior premiação do mercado literário brasileiro. Seu livro, À Cidade, dividiu opiniões quanto ao mérito do prêmio por se tratar de uma publicação independente: foi Mailson quem escreveu, editou, diagramou e criou a capa do livro.

O resultado do Jabuti é reflexo de um movimento cada vez mais forte no meio editorial: a autopublicação. Dada a dificuldade de ser publicado nos moldes tradicionais — por uma editora, garantindo-se a distribuição massiva em livrarias, ações de marketing, etc. —, muitos autores têm optado pela publicação independente como caminho para dar vida às suas histórias.

De que forma a publicação independente impacta nas minhas aulas?

Por um lado, a publicação independente permitiu diversificar os temas e vozes da literatura. Se antes os escritores brasileiros seguiam, quase sempre,  o mesmo perfil: homem branco, de classe média, morador do eixo Rio-São Paulo — conforme verificado pela pesquisadora Regina Dalcastagnè no estudo Literatura brasileira contemporânea: um território contestado —, hoje conseguimos enxergar obras mais diversas. Escritores jovens, mulheres negras, livros LGBT, todos encontram seu espaço na autopublicação, o que amplia o leque de opções para leitores em formação.

Como exemplo, temos as antologias Raízes de vento e sangue: 7 visitas aos mitos brasileiros e Mitografias, vol. I: Mitos Modernos, finalistas do I Prêmio Le Blanc na categoria Antologia Nacional em 2018. Machamba, de Gisele Mirabai, foi originalmente publicado em formato independente na Amazon. Posteriormente, a obra venceu o Prêmio Kindle de Literatura 2016 e foi republicada pela editora Nova Fronteira.

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Assim, as plataformas digitais de publicação podem funcionar como um exercício interessante para os alunos: é possível conhecer novos autores, em especial jovens autores e escritores contemporâneos, cujas linguagem e dilemas se aproximam deste público; ao mesmo tempo, estes espaços funcionam como estímulos para a turma e podem ser utilizados como iscas para vincular aos assuntos apresentados em sala de aula.

Algumas sugestões de atividades são:

  • Apresentar o formato folhetim e encorajar os alunos a criarem os seus utilizando o Wattpad;
  • Desenvolver com a turma um projeto literário que posteriormente seja publicado na Amazon, via KDP. O pagamento pelos livros vendidos pode custear comprar para a biblioteca, por exemplo;
  • Convidar os alunos a participar dos concursos literários promovidos pelo Sweek. Crie rodas de conversa, analisando os textos criados e suas relações com os diferentes períodos literários e escritores.

Soraya Coelho

Pós-graduada em Book Publishing pelo Instituto Singularidades e Analista de Marketing Digital da área de Formação de Professores na SOMOS Educação.