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O educador norte-americano John Bergmann é um dos criadores do modelo chamado Flipped Classroom ou Sala de Aula Invertida, além de ser um de seus maiores defensores e entusiastas. Ele esteve no Brasil durante o 24º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância, onde ministrou uma palestra apresentando seus principais conceitos.

Durante sua fala, ele deixa muito claro que acredita na necessidade de haver uma mudança no funcionamento da sala de aula, em que é preciso tornar o aluno ativo em sua aprendizagem, pois, segundo ele, essa é a melhor saída para o professor conseguir transformar a aula e fazer com que este aluno consiga adquirir habilidades necessárias para viver neste tempo sem precedentes.

E como é possível fazer essa mudança?

A sala de aula invertida defende que é preciso inverter o modelo da taxonomia de Bloom — classificação hierárquica em níveis de complexidade dos objetivos de aprendizagem -, ou seja, é preciso trabalhar em sala de aula o criar, avaliar, analisar e aplicar, deixando o compreender e recordar para um momento anterior a sala.

A ideia base desse modelo é deixar o material de leitura e pesquisa, como vídeos, questões, ferramentas interativas possam ser utilizadas pelo aluno em casa, num momento anterior a aula. Como? Utilizando a tecnologia, com blogs, ferramentas como Google Classroom, AVAs (Ambientes Virtuais de Aprendizagem, como Canvas, Moodle, Blackboard, etc.), aplicativos, entre outras tecnologias. Já no momento de sala de aula esse aluno deve se tornar ativo e o professor deve assumir um papel de mediador, em que possa gerar discussões, interações e fazer com que o aluno aplique aquele conteúdo, tornando a aprendizagem mais colaborativa e garantindo uma ligação entre o que acontece antes da aula e na aula.

Taxonomia de Bloom segundo o modelo de sala de aula invertida

Taxonomia de Bloom segundo o modelo de sala de aula invertida

Além disso, Bergmann acredita que essa é uma transformação que vem de baixo para cima, ou seja:

É preciso que o professor a aplique e não fique esperando um posicionamento da comunidade escolar, pois o professor deve ser o agente dessa mudança.

Para ajudar os professores, a sua equipe conta com professores no mundo todo, inclusive no Brasil, e já conseguiu mapear mais de 180 melhores práticas em 29 níveis. Os professores que possuem um maior conhecimento de tecnologia e que estão dispostos a aplicar esse tipo de modelo acabam por ajudar outros a perderem o medo da tecnologia, criando uma rede de colaboração e aumentando o senso de comunidade.

Nos sites Flipped Learning e The Flipped Learning 3.0 Magazine (ambos em inglês) você pode se aprofundar mais sobre o assunto, portanto não deixe de visita-los.

E você, professor: já teve alguma experiência com Sala de Aula Invertida? O que achou? Compartilhe conosco o seu ponto de vista.


Thalita Valle

Mestre em Linguística, trabalhando com Tecnologias Educacionais e Formação de Professores na Somos Educação.