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Na semana de comemoração do Dia do Professor, a dica de leitura é de um dos maiores educadores do nosso País: Paulo Freire. O filósofo pernambucano, autor da mundialmente conhecida Pedagogia do Oprimido, foi um dos brasileiros mais homenageados da história, recebendo prêmios como o da UNESCO de Educação para a Paz. Aqui no Brasil, foi promulgada em 2012 a lei que o declara Patrono da Educação Brasileira.

Recentemente, duas pesquisas mostraram sua relevância mundial: Pedagogia do Oprimido é o 99º livro mais citado em programas de estudos de universidades dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia, fazendo do pedagogo o único brasileiro entre os 100 mais citados e o segundo melhor colocado no campo da educação. Além disso, Pedagogia do Oprimido é o terceiro livro mais citado mundialmente na área das Ciências Sociais, segundo dados do Google Acadêmico.

Neste post, a dica é o livro Pedagogia da Autonomia.

Sobre o livro

Lançado em 1996, Pedagogia da Autonomia foi o último livro publicado por Paulo Freire. Em suas “Primeiras palavras”, o autor já anuncia a temática central do livro: “a questão da formação docente ao lado da reflexão sobre a prática educativo-progressiva em favor da autonomia do ser dos educandos”. Ele mostra que o tema não é novo em sua obra, mas ao retomar conceitos e ideias já apresentados em outros livros, traz novos elementos e reflexões, alimentados pela prática.

Ao longo do livro, então, Paulo Freire nos chama a exercer a ética da prática educativa, preocupado com a atuação do educador e da educadora e o processo de ensino-aprendizagem que possa formar pessoas autônomas.

Ao longo de três capítulos (Não há docência sem discência; Ensinar não é transferir conhecimento; Ensinar é uma especificidade humana), leitores e leitoras são instigados a refletir sobre o que o ensino exige: criticidade, respeito aos saberes dos educandos, alegria, esperança, comprometimento, saber escutar, disponibilidade ao diálogo etc.

Destacamos aqui a máxima trazido por Freire no capítulo 2:

“Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.”

A temática da escola como espaço de transferência de conhecimento já foi abordada neste Blog, no texto Ensino de conteúdos X Ensino de habilidades: uma falsa dicotomia.

Ainda que Pedagogia da Autonomia tenha sido o último livro publicado em vida por Paulo Freire, ele pode ser um bom primeiro contato com o autor, uma vez que reúne muito de seu pensamento e das ideias contidas em sua obra.

Para instigar ainda mais a curiosidade, trazemos aqui um trecho que mostra de que autonomia o autor estava tratando:

“Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém. Por outro lado, ninguém amadurece de repente, aos 25 anos. A gente vai amadurecendo todo dia, ou não. A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada. É neste sentido que uma pedagogia da autonomia tem de estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas da liberdade.”

Esperamos que tenha gostado da dica e desejamos uma boa leitura!

 


Carol Miranda

Cientista Social e Produtora de conteúdo na área da Educação