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Estudar, refletir e discutir sobre as diferentes teorias do currículo têm o potencial de fortalecer equipes pedagógicas, especialmente em um momento importante para a educação nacional como o que vivemos, no qual escolas, redes e sistemas de ensino buscam (re)elaborar seus currículos à luz da BNCC. Esse processo é permeado de escolhas e quanto maior o conhecimento e o repertório daqueles que estão debruçados nessa construção, maiores são as chances de chegarmos a resultados que garantam os direitos de aprendizagem a todos os estudantes.

Sobre o livro

“O que é uma teoria do currículo? Quando se pode dizer que se tem uma ‘teoria do currículo’? Onde começa e como se desenvolve a história das teorias do currículo? O que distingue uma ‘teoria do currículo’ da teoria educacional mais ampla? Quais são as principais teorias do currículo? O que distingue as teorias tradicionais das teorias críticas do currículo? E o que distingue as teorias críticas do currículo das teorias pós-críticas?”

Assim se inicia o livro Documentos de identidade: Uma Introdução às teorias do currículo, escrito por Tomaz Tadeu da Silva e publicado pela Editora Autêntica. O autor é PhD pela Stanford University e professor colaborador do Programa em Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Com 158 páginas e uma linguagem acessível, o livro é uma importante contribuição para a discussão sobre currículo, sendo um bom ponto de partida para quem deseja começar seus estudos, mas também para aqueles e aquelas que já estão mais familiarizados com o tema.

Divido em quatro partes, a introdução retoma a origem do conceito de currículo, afirmando que ele aparece pela primeira vez como um objeto específico de estudo e pesquisa nos Estados Unidos dos anos 1920, em um contexto de industrialização, imigração, massificação da escolarização e, com isso, de foco na administração da educação.

Ainda no início do livro, o autor problematiza a noção de “teoria”, desprezando a ideia de que a teoria explica algo que já existe, que está à espera de ser explicado. Na verdade, para Tomaz, “ao descrever um ‘objeto’, a teoria, de certo modo, inventa-o. O objeto que a teoria supostamente descreve é, efetivamente, um produto de sua criação”. Ou seja, qualquer discurso sobre currículo, não apenas o descreve, mas, de fato, o produz.

“Na perspectiva aqui adotada, que vê as ‘teorias’ do currículo a partir da noção de discurso, as definições de currículo não são utilizadas para capturar, finalmente, o verdadeiro significado de currículo, para decidir qual delas mais se aproxima daquilo que o currículo essencialmente é, mas, em vez disso, para mostrar que aquilo que o currículo é depende precisamente da forma como ele é definido pelos diferentes autores e teorias.”

Nesta primeira parte é apresentada ainda a ideia de que a questão central de todas as teorias do currículo é saber quais conhecimentos devem ser ensinados, tendo em vista e como justificativa que tipo de pessoa se quer formar.

“O currículo é sempre o resultado de uma seleção: de um universo mais amplo de conhecimentos e saberes seleciona-se aquela parte que vai constituir, precisamente, o currículo. As teorias do currículo, tendo decidido quais conhecimentos devem ser selecionados, buscam justificar por que ‘esses conhecimentos’ e não ‘aqueles’ devem ser selecionados.”

Na sequência, as partes II e III são compostas de capítulos que discutem as teorias tradicionais, críticas e pós-críticas e o livro se encerra com a IV parte, sobre o que vem depois das teorias críticas e pós-críticas.

O próprio autor seleciona algumas palavras-chave para cada grupo de teorias:

Teorias tradicionais: ensino, aprendizagem, avaliação, metodologia, didática, organização, planejamento, eficiência, objetivos.

 

Teorias críticas: ideologia, reprodução cultural e social, poder, classe social, capitalismo, relações sociais de produção.

 

Teorias pós-críticas: identidade, alteridade, diferença, subjetividade, significação e discurso, saber-poder, representação, cultura, gênero, raça, etnia, sexualidade, multiculturalismo.

Apesar de serem capítulos curtos e introdutórios de cada teoria, há densidade no conteúdo. E o mais interessante: o autor apresenta uma lista de leituras indicadas para que o leitor interessado possa se aprofundar em cada uma das teorias e autores citados.

Gostou da dica? Então, aproveite o livro para poder compor, com referência e qualidade, o processo de elaboração do currículo de sua escola. Boa leitura!


Carol Miranda

Cientista Social e Produtora de conteúdo na área da Educação